A sigla ROI está escrita em letras brancas sobre um fundo vermelho.

ROI: entenda o que é e como calcular

Mais do que nunca, vivemos em um mundo em que projetos e empreendimentos são tocados de forma colaborativa e com foco na gestão e no planejamento.

Podemos observar uma forte tendência no mundo empresarial no sentido de prestigiar os indicadores econômicos como um aspecto estrutural na tomada de decisões, principalmente quando se trata de investir os recursos da empresa.

Nesse diálogo cada vez maior com investidores, o empreendedor e o gestor não podem deixar de conhecer a linguagem dos números e, nesse contexto, é fundamental conhecer e saber calcular o chamado ROI.

O que é ROI?

ROI é uma sigla em inglês que quer dizer Return On Investment ou Retorno Sobre o Investimento. Trata-se de um indicador econômico usado para identificar a viabilidade de determinado empreendimento, bem como seus resultados, tanto passados quanto em potencial.

O objetivo do ROI é mostrar o quanto determinado investidor ganhou ou perdeu em relação ao valor do investimento realizado. E isso engloba não apenas ações já realizadas, mas também futuras, mostrando as expectativas de ganho (ou de perda evitada) de cada decisão em potencial.

Assim, pode-se dizer que o ROI é um norteador, uma bússola que direciona decisões estratégicas de gestão.

Por que calculamos o ROI?

Inicialmente, é preciso alertar que o ROI não se presta a um único papel. Muito pelo contrário, o indicador é usado em diversas frentes.

Para mostrar os resultados de cada investimento

Em sua aplicação mais comum, ele é utilizado para demonstrar uma relação existente entre o investimento e a obtenção de resultados financeiros.

Como base para tomada de decisão

Mas também pode servir como uma ferramenta de planejamento, de modo a fundamentar objetivos e resultados atingíveis ou mesmo como base para a tomada de decisões importantes dentro da empresa.

Para reduzir danos ou evitar perdas

Além disso, diante de uma situação em que é preciso tomar atitudes para evitar perdas e minimizar efeitos negativos, ele também consegue mensurar quanto cada ação tomada ajudou a reduzir danos.

Para calcular o prazo de retorno de um investimento

Por fim, o ROI também é muito utilizado para calcular o prazo de retorno e a curva de resposta de cada investimento de forma individualizada.

Pensando em uma situação prática do dia a dia, podemos pensar no gestor de uma padaria que está em conflito com a ideia de comprar ou não um novo forno industrial. É certo que o maquinário mais moderno permitirá que a padaria aumente sua produção de pães em 10%. Por outro lado, o equipamento custa R$ 10 mil. E aí, vale a pena comprar? Só o ROI poderá dizer.

Como funciona o cálculo?

A fórmula mais utilizada para calcular o ROI consiste em subtrair o ganho obtido do valor do investimento, dividindo o resultado da subtração também pelo valor do investimento, da seguinte forma:

ROI = (GANHO — INVESTIMENTO) / INVESTIMENTO

Assim, supondo que o investimento tenha sido de R$ 100 mil e os ganhos obtidos a partir dele tenham sido de R$ 150 mil, o ROI terá sido 0,5. Isso é o mesmo que dizer que o retorno sobre o investimento foi de 50% do valor aplicado.

Se o resultado for positivo, como o exemplo anterior, indica um investimento lucrativo. Se ele, por outro lado, for negativo, haverá perdas, já que o custo superou o retorno. Quanto mais esse número se aproximar de zero, menores serão os efeitos (positivos ou negativos) do investimento realizado.

O que é o Prazo de Retorno do Investimento?

O Prazo de Retorno do Investimento (PRI), também chamado de payback, é um indicador análogo ao ROI. Ele revela o tempo necessário para que o investidor atinja o chamado breakeven, ou seja: é o prazo para que recupere todo o investimento realizado. Em bom português, podemos dizer que é o tempo necessário para que o investidor fique, pelo menos, no zero a zero.

O cálculo aqui é bem fácil. Basta dividir o investimento feito pelo lucro líquido, da seguinte forma:

PRI = INVESTIMENTO / LUCRO LÍQUIDO

Supondo, por exemplo, que o investimento tenha sido no montante de R$ 15 mil e que o lucro líquido seja de R$ 5 mil ao ano. Nesse caso, o prazo de retorno do investimento é de três anos.

Por que precisamos olhar para o prazo de retorno?

Em grande parte das decisões corporativas, o retorno de uma ação não acontece em um momento específico. Geralmente, as ações positivas trazem uma curva mais acentuada de imediato e continua a surtir consequências benéficas no decorrer do tempo.

Suponha que você invista em uma nova tecnologia para melhorar seus processos internos. Um app corporativo, que minimiza perdas e facilita o controle de gastos em determinado setor. Ao ser implementado, ele vai modificar a rotina dos colaboradores e, de imediato, conter perdas por falhas de processo que existiam antes, na forma como as coisas eram feitas.

Se, sem o aplicativo, era impossível mensurar com exatidão os gastos com os colaboradores, você deve observar uma redução imediata nos números, logo após a implementação. Mas, com a melhoria contínua e a adaptação das equipes, os meses seguintes também podem trazer mais retornos positivos. Então, é preciso estabelecer uma janela de medição.

Quais as vantagens de calcular o ROI?

Conhecer a performance de seus investimentos

O ROI é considerado o melhor indicativo de lucratividade e permite ao investidor conhecer e comparar a performance de cada um de seus investimentos. Isso é importante porque o investidor ganha a capacidade de fazer a análise comparativa de aplicações em termos de rentabilidade e custos.

Permitir um cálculo simples do retorno de um investimento

Outra vantagem bastante interessante do ROI é a simplicidade e a facilidade de realizar o cálculo sempre que necessário. Você não precisa de sistemas específicos ou especialistas na área para ter uma visualização rápida do que pode esperar de suas escolhas.

Embasar a tomada de decisão

Calcular o ROI ajuda, portanto, a manter uma gestão mais embasada, baseada em expectativas seguras e com resultados palpáveis. Como se diz: “contra fatos e dados, não há argumentos”. Eis o que esse indicador pode fazer por sua empresa.

Quais as desvantagens do ROI?

Como já tivemos a oportunidade de observar, o ROI pode ser uma excelente ferramenta de gestão, auxiliando em decisões importantes do empreendimento e também determinando a viabilidade do investimento. No entanto, para que essa ferramenta seja realmente um trunfo na mão do gestor, precisamos reconhecer as suas desvantagens e as suas limitações.

A simplicidade de seu cálculo

A mesma simplicidade que é uma das principais vantagens do ROI também pode ser vista como uma desvantagem, especialmente se levarmos em consideração o fato de que ele tende a desfavorecer investimentos de longo prazo com rentabilidade mais modesta.

Isso ocorre porque o cálculo considera apenas ganhos e custos do período corrente, deixando de fora o cálculo de como os gastos, as aplicações, as variações monetárias e o mercado financeiro podem afetar a rentabilidade do negócio no longo prazo.

A dificuldade para analisar investimentos diferentes

Além disso, o ROI começa a apresentar anomalias quando comparamos investimentos muito diferentes entre si, já que cada um deles tem as suas particularidades e dificilmente pode ser posto em denominadores comuns.

Ademais, os conceitos utilizados no cálculo, como “lucro” e “investimento” são bastante vagos, dificultando a padronização dos dados. O lucro, por exemplo, pode ser:

  • bruto;
  • líquido;
  • operacional;
  • financeiro;
  • deduzido ou não de impostos etc.

Quando e onde devemos usar o ROI?

O ROI é indicado para uma variedade enorme de situações: dos investimentos mais simples, que têm apenas uma entrada e uma saída, aos mais complexos, com grande movimentação de caixa (multiplicidade de investimentos e retornos). Você pode calcular o ROI quando investe em:

  • uma nova tecnologia;
  • um novo colaborador;
  • uma campanha de marketing;
  • uma viagem de negócios;
  • uma aplicação financeira etc.

Ele é um indicador aplicável nas mais diversas situações.

Ao contratar um novo colaborador

Quer um exemplo prático? Ao contratar um novo colaborador para sua equipe de vendas, por exemplo, você pode mensurar sua efetividade calculando o ROI. Na equação citada, os ganhos serão aquilo que ele trouxe de novos negócios para sua empresa, seja em aquisição de novos clientes, seja no aumento do ticket médio. O investimento serão os custos de contratação, incluindo:

  • o salário total do período mensurado;
  • o pagamento de bonificações e comissões;
  • os custos com deslocamento, alimentação etc.;
  • os tributos e benefícios pagos a ele ou em favor dele.

Ao tomar ações para evitar perdas maiores

Uma outra situação hipotética: você precisa que um funcionário faça uma viagem para evitar o recall de um número específico de aparelhos, que está sendo solicitado por um cliente insatisfeito. Ele pode realizar esse investimento (com a viagem e seus custos) para chegar a uma outra solução, mais barata e eficiente para ambos os lados. Assim, o “ganho” é correspondente às perdas que você evitou.

Nesse caso, se a empresa hipoteticamente gastaria R$ 100 mil com o recall dos aparelhos e, após uma reunião com o cliente, chegou a uma solução alternativa com custo de R$ 20 mil, o “ganho” foi evitar a perda de R$ 80 mil.

Agora, basta levantar os custos da viagem do funcionário, incluindo hospedagem, deslocamento, passagens, alimentação e qualquer outro gasto envolvido, para calcular adequadamente o ROI dessa ação.

Da mesma forma, investir, por exemplo, em tecnologia, para reduzir os custos com deslocamento de funcionários vai fazer com que seu gasto com táxi e combustível passe de um valor X, para outro Y menor. A diferença é o ROI desse investimento. E você pode replicar esse ganho para um ano, por exemplo, e ter uma visão do retorno em todo o exercício.

Quando o ROI precisa ser calculado com cuidado?

Não devemos usar o ROI quando não houver uma ligação clara de causalidade entre o investimento realizado e os retornos obtidos. Se você não puder estabelecer o investimento como a única causa do resultado, como vai correlacionar ambos? Há situações em que a aplicação tem pouca ou nenhuma influência no aumento ou na queda das receitas.

Quando houver sazonalidade nos resultados

Sendo práticos, se sua empresa, por exemplo, apresenta sazonalidade nas receitas, você precisa identificar isso, antes de calcular o ROI. Seu resultado pode ser mascarado por um período típico de baixa ou alta de faturamento. Assim, ele pode parecer pior ou melhor do que, de fato, é.

Quando houver fatores externos influenciando nos resultados

Podemos pensar, ainda, em um aumento vertiginoso e repentino na demanda pelo produto que a empresa comercializa, ou em obras de infraestrutura realizadas pelo Estado e que ajudam a empresa a cortar custos com logística.

Há situações, ainda mais extremadas, em que o retorno se dá apesar do investimento e não por causa dele. Se uma má decisão for tomada, sua equipe vai se esforçar para minimizar o impacto e reverter resultados negativos. Assim, mais do que o investimento, foi a mudança de postura (que pode, por exemplo, ser somada à realização de horas extras) da equipe que fez com que o retorno acontecesse, e não o investimento em si.

Pelos mesmos motivos, também não é indicado usar o ROI para comparar investimentos realizados em épocas distintas, já que os fatores externos não serão nem remotamente os mesmos e podem causar algum ruído no resultado.

Quando não houver clareza sobre tudo que precisa ser levado em conta

É preciso ter cuidado e ser realista com os dados analisados. Às vezes, muitos fatores estão interligados e impactam o retorno de suas ações. E, eventualmente, seus resultados não vão ser medidos apenas de uma forma. Imagine a situação que citamos, em que houve a aquisição de um app corporativo para controle de um determinado processo.

Você terá retorno em diversos aspectos, tais como:

  • redução de custos por corte de gastos desnecessários;
  • redução da equipe por maior eficiência no processo;
  • aumento da capacidade de trabalho dos funcionários, que perdem menos tempo em controles manuais;
  • melhoria da motivação das equipes, que passam a ter rotinas facilitadas e redução de burocracia, etc.

O retorno de um investimento pode ter um grau de subjetividade maior, tornando-se mais complexo. É importante manter a mente aberta e não ignorar efeitos colaterais positivos ou negativos de suas ações.

Não se esqueça que toda escolha, no mundo corporativo, é um investimento. Quando você decide usar seu tempo em prol de uma atividade, em vez de outra, está investindo-o. Além disso, tenha sempre uma ideia muito clara: qualquer decisão requer um retorno.

Se você faz tudo da forma tradicional, e não investe em campanhas de marketing, em novas tecnologias ou em qualquer ação que impulsione e torne mais eficiente sua empresa, você está investindo tempo na rotina e pode estar deixando de ganhar. E isso também tem um retorno, que é a permanência do cenário atual. Afinal de contas, não se pode continuar fazendo tudo da mesma forma e esperar resultados diferentes, não é mesmo?

E então, este post foi útil para você? Então talvez você também se interesse em conhecer as 5 dicas para montar um plano de negócios eficiente.

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